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25.9.16
28.1.16
Novas turmas de Aikido
Aikido Corpo & Ki no meio da manhã ou na hora do almoço é ideal para quem tem uma agenda flexível.
No Tatamito trabalhamos com turmas pequenas de no máximo 4 alunos e com foco na consciência corporal.
Além disso você pode optar por comprar pacotes de aulas (que permitem reposições) ou mensalidades (opção mais econômica).
Informe-se por email
Um caminho para a harmonia
Lojong: 8 versos que transformam a mente*
1. Com a determinação de alcançar
O bem supremo em benefício de todos os seres sencientes,
Mais preciosos do que uma jóia mágica que realiza desejos,
Vou aprender a prezá-los e estimá-los no mais alto grau.
2. Sempre que estiver na companhia de outras pessoas, vou aprender
A pensar em minha pessoa como a mais insignificante dentre elas,
E, com todo respeito, considerá-las supremas,
Do fundo do meu coração.
3. Em todos os meus atos, vou aprender a examinar a minha mente
E, sempre que surgir uma emoção negativa,
Pondo em risco a mim mesmo e aos outros,
Vou, com firmeza, enfrentá-la e evitá-la.
4. Vou prezar os seres que têm natureza perversa
E aqueles sobre os quais pesam fortes negatividades e sofrimentos,
Como se eu tivesse encontrado um tesouro precioso,
Muito difícil de achar.
5. Quando os outros, por inveja, maltratarem a minha pessoa,
Ou a insultarem e caluniarem,
Vou aprender a aceitar a derrota,
E a eles oferecer a vitória.
6. Quando alguém a quem ajudei com grande esperança
Magoar ou ferir a minha pessoa, mesmo sem motivo,
Vou aprender a ver essa outra pessoa
Como um excelente guia espiritual.
7. Em suma, vou aprender a oferecer a todos, sem exceção,
Toda a ajuda e felicidade, por meios diretos e indiretos,
E a tomar sobre mim, em sigilo,
Todos os males e sofrimentos daqueles que foram minhas mães.
8. Vou aprender a manter estas práticas
Isentas das máculas das oito preocupações mundanas,
E, ao compreender todos os fenômenos como ilusórios,
Serei libertado da escravidão do apego.
*autor: Geshe Langri Tangpa (1054-1123)
1.12.15
Vale-aula personal
Embora eu não seja uma pessoa particularmente afeita ao consumismo exagerado, é fato que em Dezembro acabamos por comprar muitas coisas, várias desnecessárias, quando entramos nessa roda do calendário do mundo... E o furor de sair correndo para lá e para cá? Vai te tensionando e te atropelando e quando chegam aqueles 10 dias para descansar no final de ano você está um trapo e mal consegue relaxar o quanto precisa....
No sentido de propor uma opção diferente, estamos oferecendo agora em Dezembro e Janeiro aulas avulsas particulares como presente*. Portanto não é exatamente uma coisa, mas um tempo para si, ou para quem você quiser presentear com algo precioso, porque acaba sendo raro esse tempo....
A aula-presente particular de 1 hora de duração Corpo-Ki é uma prática corporal de consciência corporal desenvolvida a partir da pesquisa de várias outras práticas (Reiki, Yoga, Aikido, Kinomichi, Lian Gong e Método Feldenkrais), que leva a um estado de tranquilidade e relaxamento.
Corpo-Ki conduz à experiência de um corpo mais presente e portanto mais saudável. O foco desta atividade é guiar a busca individual da consciência corporal levando em consideração que parte desta busca envolve também a sensibilidade ao Ki, energia sutil. "Corpo-Ki" engloba movimentos de baixo impacto, práticas respiratórias e de visualização que funcionam como um arado que traça o caminho da percepção sensorial ampliada e consciência.
Você pode comprar uma aula-presente personal de Corpo-Ki com validade de 1 mês. (manhã/tarde ou noite).
Oferecemos desconto se quiser comprar um pacote de aulas (que você pode dar para diferentes pessoas).
Para se informar sobre valores e outras dúvidas é só enviar um email para tatamitodojo@gmail.com ou ligar para 982906651.
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EXPERIMENTE & OFEREÇA!
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* os vale-aulas devem ser agendados com pelo menos 48 horas de antecedência e é permitido apenas UMA remarcação desde que feita com 24 horas de antecedência.
5.11.15
"Funciona" porque é divertido
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| Quem nunca? |
Hoje estava passeando com minha cachorra e vi esse aparelho de ginástica quase expulso de uma casa, num cantinho da garagem. Me lembrei de quando, lá pelos meus vinte e poucos anos, querendo entrar em forma comprei uma máquina de remo. A animação durou umas duas semanas. A disciplina pouco mais de um mês e no final acabei vendendo para um amigo.
Quem nunca?
Porque será que essas máquinas são tão pouco usadas ou as salas de ginásticas de tantos condomínios são tão pouco frequentadas? Meu palpite é de que é muito chato. Mas isso é apenas um julgamento da minha parte.
Objetivamente falando, é muito difícil manter a relação corpo/mente integrada quando fazemos exercícios nessas máquinas. Por serem extremamente repetitivos a mente se entedia e busca outro lugar para vagar, fora do corpo. Pode ser no aparelho de televisão mais próximo, na revista apoiada no console da esteira de correr, na lista do Spotify que flui pelos fones de ouvido...
Sim, nos especializamos em combater o tédio ocupando nossas mentes com algum tipo de atividade, geralmente dissociado da atividade física. Assim o corpo fica ali abandonado da consciência, se contraindo no vácuo da presença mental, correndo o risco de ser mal exercitado e ... lesionado.
Fazer alguma prática corporal com a cabeça em outro lugar além de trazer resultados físicos em tempo muito maior (comentário para aqueles que têm pressa), colabora com a dissociação dessa relação tão preciosa corpo/mente que é responsável pelo sentimento de serenidade e bem estar que tanto buscamos.
Na época em que comprei a minha máquina de remo eu ainda não havia descoberto o Aikido e ainda vivia os paradigmas da musculação de um corpo ausente. O Aikido Corpo-Ki, como meditação em movimento oferece uma oportunidade de integração dessa relação e é por isso que "funciona" *.
Atualmente tantos falam em meditação, e imaginam-se sentados, de olhos semi-cerrados numa grande quietude. Essa é a meditação clássica. Mas existem outras possibilidades, como no caso do Aikido Corpo-Ki no sentido do indivíduo estar completamente imerso na atividade física. Nem a mente nem o corpo no Aikido Corpo-Ki executam tarefas repetitivas: estão ambos profundamente conectados na realização dos movimentos e nas trocas energéticas que se estabelecem durante o treino. Embora aparentemente os movimentos se repitam, a relação com o outro nos coloca numa situação diferente a cada minuto durante a qual é impossível manter-nos no treino de forma ausente e automática (bem... é possível, mas isso é o que leva aos acidentes no tatame).
Essa relação que estabelecemos, de contato com o outro, além de nos manter alerta é extremamente divertida. Por causa do profundo respeito ao espírito de harmonia que cultivamos no Tatamito, esse contato torna-se um desafio agradável, ainda que desafio. Cada pessoa com quem treinamos tem um ritmo, um estado de flexibilidade, um peso, uma disposição diferente que nos mantém em constante estado de consciência sobre a realidade presente: do que acontece conosco e com o outro.
Coisa bacana que é ver os sorrisos nos rostos dos alunos ao fim de um treino. E no meu também. E é por isso que "funciona"!
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| cultivando o alto astral ;) |
21.10.15
Ki e o corpo-passagem
No meu entender, a pesquisa do fluxo de ki é a parte essencial da pesquisa que o Aikido Corpo-Ki pode propor ao praticante. Sentir esse fluxo enquanto se prática, no entanto, não é fácil. Muitos de nós nos focamos mais na sequência de movimentos corporais (põe um pé aqui, faz o giro, a mão aplica a chave, etc...). Nesse ponto o que estamos vivenciando é sobretudo nosso corpo como um corpo-desenhante*, que se empenha nas movimentações circulares do Aikido para conduzir o outro (uke) e levá-lo a um novo lugar.
Muitas vezes parece mesmo que não há espaço mental para prestar atenção neste fluxo. No entanto, a medida que vamos nos habituando com os movimentos, parece que começa a sobrar um espaço para essa percepção sutil e que no entanto é fundamental para a fruição da harmonia do movimento.
Embora esse aprendizado sobre o fluxo de ki deva ser sobretudo perceptivo, e portanto se dar durante a prática corporal, acredito que buscar reflexões sobre ele, ajuda no processo de incorporação desse conceito em nossas práticas de Aikido Corpo-Ki. Dessa forma, tenho buscado autores que reflitam sobre assuntos pertinentes, como por exemplo, o filósofo japonês, Yasuo Yuasa, texto apresentado a mim pelo meu colega Kezo Nogueira.
O conceito de fluxo de energia ki esta presente - coerentemente - em diversos aspectos da cultura oriental. Segundo Yasuo Yuasa, o fluxo do ki na milenar medicina oriental enfatiza uma relação de extrema importância: a do corpo com o mundo. O corpo para o oriental não é algo destacado do mundo, uma muralha de isolamento para a mente. O corpo faz parte dele e é através da troca de energia ki que essa relação se dá ininterruptamente. O ki do universo nos alimenta e nós, nutrindo-nos com ele, emitimos ki conscientemente ao trocarmos um Reiki, por exemplo, ou ao praticarmos Aikido com consciência corporal.
No trecho de Yuasa (tradução minha):
Muitas vezes parece mesmo que não há espaço mental para prestar atenção neste fluxo. No entanto, a medida que vamos nos habituando com os movimentos, parece que começa a sobrar um espaço para essa percepção sutil e que no entanto é fundamental para a fruição da harmonia do movimento.
Embora esse aprendizado sobre o fluxo de ki deva ser sobretudo perceptivo, e portanto se dar durante a prática corporal, acredito que buscar reflexões sobre ele, ajuda no processo de incorporação desse conceito em nossas práticas de Aikido Corpo-Ki. Dessa forma, tenho buscado autores que reflitam sobre assuntos pertinentes, como por exemplo, o filósofo japonês, Yasuo Yuasa, texto apresentado a mim pelo meu colega Kezo Nogueira.
O conceito de fluxo de energia ki esta presente - coerentemente - em diversos aspectos da cultura oriental. Segundo Yasuo Yuasa, o fluxo do ki na milenar medicina oriental enfatiza uma relação de extrema importância: a do corpo com o mundo. O corpo para o oriental não é algo destacado do mundo, uma muralha de isolamento para a mente. O corpo faz parte dele e é através da troca de energia ki que essa relação se dá ininterruptamente. O ki do universo nos alimenta e nós, nutrindo-nos com ele, emitimos ki conscientemente ao trocarmos um Reiki, por exemplo, ou ao praticarmos Aikido com consciência corporal.
No trecho de Yuasa (tradução minha):
"Em primeiro lugar, eu gostaria de pontuar a relação entre o corpo e o mundo externo. Como mencionado previamente, os pontos terminais de cada meridiano são os pontos distais dos membros, e existe uma troca de fluxo de ki com o mundo exterior através desses pontos distais.(...) Eu acho que esse ponto é a característica fundamental da teoria oriental do corpo. A medicina moderna primeiro separou o corpo do mundo externo, tomando-o como fechado, um sistema auto-contido, e então dissecando sua estrutura em vários órgãos tentou compreender suas funções respectivas. A medicina oriental , ao contrário, entendeu o corpo com um sistema aberto conectado ao mundo exterior. Ao fazer isso concebeu que, embora indetectável pela percepção sensorial, há uma troca de energia vital de algum tipo entre o corpo e o mundo externo, ou seja, há absorção e liberação de ki entre eles"
Assim, temos que o corpo, mais do que uma unidade blocada e independente, funciona como um circuito aberto. O corpo carrega em si a potência de ser um corpo-passagem: ao nos conectarmos ao ki universal (que entra sobretudo pelo chakra coronário) nosso circuitos (meridianos) a transportam e se fizermos isso com consciência, essa energia será transmitida em maior potencial de volta ao mundo, direcionada ao outro com quem praticamos (uke). É nessa hora que a prática alcança um estado todo especial. Quando o par uke/nague se conecta nesse fluxo é quando sentimos um "click": está funcionando! Nesse momento os corpos-desenhantes se complexam em corpos-passagem e dois (uke/nague) tornam-se um no movimento.
*o conceito de corpo-desenhante foi explorado em minha dissertação Diálogos em Linha, disponível para leitura na Biblioteca Digital da Unicamp.
1.8.15
Curando com o Ki
| nikyo sendo aplicado no tatame |
O Sensei Richard Moon, da California, teve uma experiência decisiva em sua vida há muitos anos atrás. Um dia, enquanto visitava sua mãe em San Diego, recebeu a notícia que seu irmão mais velho, Bill, teve um acidente sério com sua scooter e estava em coma em um hospital correndo risco de vida.
Passada uma semana do acidente, Bill continuava não respondendo e Richard havia voltado para casa pois a família insistia que não havia nada a ser feito no momento e ele tinha uma certeza interna de que seu irmão iria melhorar. Mas o tempo foi passando e esse sentimento foi se dissolvendo, dando lugar a uma sensação de desconforto e um desejo de voltar ao hospital. Assim, contrariando os conselhos familiares, Richard decidiu que pegaria um avião para cidade onde seu irmão estava internado. Com essa decisão, sua mãe, que estava indo embora para casa, decidiu permanecer e buscá-lo no aeroporto. Nessas alturas, já fazia um mês que Bill estava internado.
A seguir, um trecho traduzido do texto de "Healing with Ki" de Richard Moon (extraído do livro "A Way to Reconcile the World, edição de Quentin Cooke) que narra a chegada de Richard ao quarto onde estava seu irmão:
"Havia um residente no quarto fazendo sua ronda. Depois de sermos introduzidos, ele gritou no ouvido de Bill: "Seu irmão Richard está aqui."
O que se perdia com isso? Nada.
Apenas uma enfermeira no quarto. Minha mãe estava lá e Christine, a amiga de meu irmão chegou. Enquanto ambas permaneciam na ponta da cama, eu me aproximei gradualmente. Eu pus minhas mãos nele, uma no pescoço e outra em seu rosto. Eu falei com ele e o chamei mas não houve resposta.
A palavra ki do aiki significa energia ou força vital. Em meus estudos de aikido, por causa da minha natureza e meus interesses, eu dei muita atenção ao processo de cura pelo ki. Eu participei de seminários e procurei informação e professores focados nisso.
A cura pelo ki é a prática do fluxo consciente de ki, ou energia vital, para um machucado a fim de estimular o processo de cura. Uma mãe beijando uma criança machucada é um exemplo de transferência de ki. Eu usei a cura pelo ki inúmeras vezes, mas nunca numa situação como essa. Apesar de cético das minhas próprias impressões a princípio, eu experimentei o fluxo de ki semelhante a uma substância dourada, tipo um mel. Mesmo com todos os meus anos de treino, eu me impressionei como era tangível a experiência.
Da mesma esfera misteriosa de consciência que levou-me aqui em primeiro lugar, eu me senti impelido a tomar a mão de Bill e aplicar uma técnica de aikido chamada nikyo, uma chave de punho. Nikyo tem o potencial de criar grande pressão a ponto de levar a uma dor intensa. Todas as técnicas de aikido podem remontar ao conflito marcial, mas a maneira como eu aplicava a técnica naquele momento era diferente.
Eu estaca enviando o fluxo de energia como um contato com o centro de seu ser. Nessa abordagem da arte, minha atenção estava sintonizada a sensação de ki ou fluxo de energia, eu continuava. Depois que um movimento que parecia que suas pálpebras se agitaram e seus olhos pareceram mover-se como se procurassem algo, eu perguntei: "Bill, Bill, voce pode me ouvir?"
Embora o som viesse do fundo de sua garganta e estivesse muito truncado, nada claro, eu posso jurar que ele disse : "Sim".
Eu admito que eu queria tanto escutá-lo dizer algo que eu não tive certeza. Eu temia tanto estar inventando isso, que eu reforcei o nikyo e deixei fluir ainda mais energia para ele. Seus olhos estavam definitivamente respondendo. Eu tinha certeza agora. Eu disse:
- Bill, quem sou eu?
Do fundo de sua garganta, eu um tom truncado e quase ininteligível, ele disse:
- ..ichard.
Eu olhei em volta do quarto. Os olhos da enfermeiras estavam arregalados. Minha mãe e Christine ainda permaneciam aos pés da cama. Estavam de mãos dadas e com um olhar maravilhado. Ambas assentiram com a cabeça.
Cristine disse:
- Eu tenho certeza que ele disse Richard. Eu tenho certeza que ele disse seu nome.
Voce teria que estar lá e escutar o quão inteligível foi sua fala para entender a twilight zone em que estávamos naquele momento.
De volta a Bill, eu apliquei novamente nikyo e perguntei:
- Bill, você sente isso?
Ele disse:
-Sim.
Cada vez que ele falava, as palavras pareciam estar cada vez mais claras. Eu disse:
- Bill, fale meu nome.
Quando ele disse "Richard" dessa vez, nós nos entreolhamos. Nós tínhamos medo de acreditar, e mesmo assim nos todos estávamos certos que o havíamos escutado falar. Eu aumentei ainda mais a pressão. Eu disse:
- Bill, se isso doer, diga "tio".
Numa voz truncada, mas mesmo assim, distinguível, ele disse:
- Tio!
Foi alto e claro. Nesse momento nenhum de nós questionou. Nos entreolhamos em lágrimas, risadas e sorrisos.
A enfermeira em choque, parou o que fazia. Ela olhou para mim com seus olhos imensos e me perguntou:
- O que você está fazendo?
Eu expliquei sobre meus interesses na arte do aikido como estudo da energia da vida. Eu disse para ela que era usado tanto como para autodefesa como para cura. Eu disse a ela que estava transferindo o ki ou a energia vital que cura para o meu irmão e que estava usando esse processo para fazer contato com a consciência dele.
Ela olhou para mim com educação. Era como se pudesse ouvi-la pensando que um de nós devia estar louco, e como eu era da Califórnia, não havia questão que devia ser eu. Ao mesmo tempo, ela estava lá e ela o viu responder. Ela deixou o quarto repentinamente.
Minha mãe estava em lágrimas. Ela correu ao telefone para chamar Gene que estava terminando uma residência na Clínica Mayo em Rochester. Quando ela voltou, ela disse que ele conseguiu alguém para substituí-lo e que estava saindo imediatamente. Ele e sua esposa estariam em Twin Cities em algumas horas.
Em menos de cinco minutos uma bateria de médicos entrou no quarto. A enfermeira provavelmente disse alguma coisa que os trouxe tão rapidamente. Eles estiveram com Bill por mais de 4 semanas e não viram nenhuma resposta consciente. Andaram em volta dele. Cutucaram-no. Estimularam-no. Falaram com ele, sem respostas.
Nesse meio tempo, Bill tinha voltado ao seus estado inconsciente e não dava respostas. Eles não viram nada. Eu sentia que eles me olhavam com o canto dos olhos, então não disse nada. Olhando para mim, eles deixaram o quarto.
Assim que eles saíram, meu pai inesperadamente entrou no quarto. Ele não sabia que eu viria e se surpreendeu ao me encontrar ali. Ele esteve no hospital todos os dias desde o acidente. A fadiga em seu rosto era evidente. Ele disse que no dia anterior chegou ao fundo do poço. Ele disse que havia passado a noite em lágrimas, com medo que Bill nunca retornasse. Minha mãe o interrompeu:
- Jay, ela disse, Bill acaba de falar o nome de Richard.
Eu fui até a cama e peguei na mão de meu irmão novamente e apliquei o nikyo. Seus olhos começaram a rolar. Suas pálpebras começaram a se agitar e abrir. Parecia que ele olhava em torno do quarto.
- Bill, você sabe quem está no quarto agora?
Ele não respondeu imediatamente, então , eu perguntei novamente:
- Bill, quem está no quarto agora?
Em sua profunda, truncada e quase ininteligível voz, ele respondeu:
- Papai."
O texto é longo. Continuo depois. A história é linda e sobretudo é real.
A história inteira está em inglês nesse livro inspirador editado por Quentin Cook que recomendo:
![]() |
| http://quentincooke.tumblr.com/ |
13.7.15
"Lembrando, resolvendo e integrando memórias"
("Remembering, Resolving, and Integrating Memories" de John Luijten, 3º Dan, Gen Ki Aikido Yuishinkai, Holanda, extraído do livro "A Way to Reconcile the World, edição de Quentin Cooke)
"Eu tenho 48 anos, vivo no sul da Holanda e pratico Aikido há 23 anos. Já faz 7 anos que tenho meu próprio dojo onde ensino crianças, adolescentes e adultos.
Um dia, uma aluna me perguntou se estaria interessado em ensinar aikido aos pacientes de uma clínica para problemas de saúde mental, tais como depressão, trauma, stress, vícios, pânico e ansiedade.
Eu disse:
- Sim!
Os pacientes ficavam na clínica por aproximadamente 7 semanas, e o Aikido era uma das aulas que eles faziam para criar uma mente saudável em um corpo saudável. Eram divididos em quatro grupos com 10 a 15 pessoas. Duas vezes por mês eu dava aulas para dois grupo no sábado e dois grupos no domingo. Eu nunca sabia do que o paciente estava sendo tratado. No tempo limitado que eu tinha com eles, eu não esperava nada além de demonstrar o quão relaxados e positivos o treino poderia faze-los se sentir e abrir uma porta aos pacientes ao mundo do Aikido assim que seu tratamento terminasse.
Nas aulas praticamos exercícios de ki, princípios do aikido e hambo kata (exercícios com bastão médio).
Durante uma dessas aulas quando eu estava ensinando o kata, uma paciente começou a chorar e saiu da sala. Depois da aula, ela voltou e me contou a razão de sua explosão emocional.
Anos atrás quando ela trabalhava na Africa fazendo um trabalho missionário, ela testemunhou a morte de um homem por pauladas. Ela bloqueou esse evento em sua mente, não falando ou sequer pensando sobre ele até a aula com o hambo trazer o evento de volta a ela. Ela se surpreendeu com o acontecido, pois ela não se dava conta do problema, embora sua reação tenha provado o contrário. Como resultado, ela falou com o incidente a seus terapeutas e juntos, ela conseguiu processar e lidar com essa lembrança há muito tempo enterrada na memória.
Depois de duas semanas ela me pediu para fazer novamente o kata. Dessa vez ela permaneceu e terminou o kata, assim como a aula toda. Ela estava muito feliz pois para ela isso assinalava que ela finalmente chegou a um acordo com seu terrível trauma.
Nunca lhe havia ocorrido que esse evento, na verdade, a estava afetando profundamente sua vida desde aquele tempo, e no entanto, este exercício simples pode abrir uma janela para seu subconsciente, o que permitiu a ela retomar o trilho. Foi muito bonito ver o alívio e alegria em seu rosto, e para mim foi um exemplo maravilhoso do porquê escolhi ensinar essa maravilhosa arte.
Como disse o fundador: "A verdadeira vitória é a vitória sobre si mesmo, masakatsu agastu."
28.4.15
Os linfócitos, as metáforas e o aikido corpo-ki
Em tempos de mudanças de temperatura, pelo menos aqui em São Paulo, as drogarias lotam de pessoas alérgicas e/ou gripadas com muito mais frequência. Isso me fez pensar ultimamente sobre o nosso sistema imunológico.
Aqueles que estudaram biologia no século XX devem se lembrar de ter aprendido que os linfócitos, também conhecidos como glóbulos brancos, eram os "soldadinhos" do corpo.
No entanto, em 1994, Francisco Varela e Mark Anspach*, ao atentarem para a característica de diferenciação dos linfócitos entre si, concluíram que os anticorpos produzidos pelos linfócitos formam o grupo molecular mais diversificado do corpo. Os linfócitos são qualificados para garantir a constante mudança e a diversidade de outras moléculas. Circulando no organismo, os linfócitos podem encontrar tanto com moléculas de tecido orgânico (self) como com antígenos (não-self), ou seja, têm uma função de reconhecimento. Os autores descobriram que a constante troca nos linfócitos envolve um processo ativo que inclui aprendizagem e memória. Assim, o sistema imunológico além da função defensiva, apresenta capacidade cognitiva inegável. Esta mudança de metáforas - do exército para a de rede inteligente com habilidade cognitiva nos faz concluir: pensamos e aprendemos com o corpo todo e não apenas com o cérebro e o sistema nervoso.
O entendimento desta nova metáfora, reforça portanto, as teorias do corpo integrado a que se refere a filosofia oriental (em contraponto ao corpo em partes do pensamento predominante ocidental, o corpo tratado pelas especialidades médicas específicas) e da íntima relação entre doença/aprendizado.
Já que falamos em metáforas, é interessante pontuar que para alguns pesquisadores - Lakoff e Johnson, Metaphors we live by, 1980 - todo nosso sistema conceitual é metafórico. Estruturamos uma experiência a partir de outra - as chamadas metáforas estruturais. A própria etimologia da palavra - que vem do grego - μεταφορά - transporte ou transferência, ou seja, com o uso de metáforas acontece um transporte de pensamentos. Para uma a metáfora servir como veiculo para o entendimento é necessária a experiência corporal prática, o que a torna uma metáfora incorporada (embodied cognition). A cognição é uma atividade dinâmica sensório-motora e portanto, experimentada não apenas pela atividade neural, mas emerge das atividades do corpo do indivíduo.
O aprendizado do Aikido Corpo-Ki - arte marcial e portanto corporal - promove uma experiência prática corporal que se vale da metáfora ataque/defesa para estimular a incorporação do estado de harmonia interior do indivíduo. Embora tenha se desenvolvido muito antes de tais teorias, o Aikido Corpo-Ki se vale da premissa da embodied cognition, ou seja, metáforas em práticas pelo corpo são incorporadas à mente e consequentemente, às atitudes do indivíduo.
Aqui voltamos à metáfora militar, uma vez que o Aikido foi desenvolvido a partir dos princípios do budô, as artes marciais ensinadas com o objetivo de defesa militar. Mas o Aikido Corpo-Ki não pretende que esta ideia seja levada ao pé da letra. A prática procura criar uma tensão para que esta seja superada, não apenas na realidade do tatame, mas na realidade do indivíduo. Muitas pessoas confundem essa proposta, imaginando que o principal "efeito" do Aikido Corpo-Ki em suas vidas seria a capacidade de se defenderem no caso de um assalto, por exemplo. Muito além de ser literal, o Aikido Corpo-Ki nos prepara para outros tipos de ataques, situações agressivas com as quais nos deparamos no nosso dia-a-dia, que podem surgir desde um singelo telefonema a um trânsito tenso. Paulistanos sabem bem sobre esse tipo de experiência...
Aqui voltamos à metáfora militar, uma vez que o Aikido foi desenvolvido a partir dos princípios do budô, as artes marciais ensinadas com o objetivo de defesa militar. Mas o Aikido Corpo-Ki não pretende que esta ideia seja levada ao pé da letra. A prática procura criar uma tensão para que esta seja superada, não apenas na realidade do tatame, mas na realidade do indivíduo. Muitas pessoas confundem essa proposta, imaginando que o principal "efeito" do Aikido Corpo-Ki em suas vidas seria a capacidade de se defenderem no caso de um assalto, por exemplo. Muito além de ser literal, o Aikido Corpo-Ki nos prepara para outros tipos de ataques, situações agressivas com as quais nos deparamos no nosso dia-a-dia, que podem surgir desde um singelo telefonema a um trânsito tenso. Paulistanos sabem bem sobre esse tipo de experiência...
Assim como os linfócitos nos ajudam a aprender sobre aquilo que é estranho e perigoso para nós, as práticas do Aikido Corpo-Ki nos preparam para estarmos alertas para aquilo que nos é potencialmente agressivo, seja vindo de fora, mas sobretudo vindo de nós mesmos.
*fonte: GREINER, C. O Corpo. Pistas para estudos indisciplinares
14.4.15
A naturalidade do Kamae
Eu tenho um hábito que pode parecer engraçado. Quase sempre que ando de metrô, gosto de testar minha base, meu equilíbrio e ontem, particularmente, notei uma coisa muito curiosa.
Eu me coloquei em kamae - também conhecido como hanmi - a postura do Aikido em que nossos pés se posicionam triangularmente. Fiquei assim, jogando meu peso para meus quadris/joelhos flexionados e pés sem encostar em nada e testando como eu lidava com o movimento do metrô.
Daí, comecei a reparar nas outras pessoas. A maioria se apoiava em seus braços/mãos, se dependurando nas barras de metal. Mas havia 2 pessoas como eu: sem usar o apoio superior do corpo.
Era um homem e uma mulher. Quando comecei a observá-los notei que ambos tinham os pés paralelos e voltando a frente do corpo perpendicularmente ao movimento do trem . Mas depois de um tempo, notei que a mulher, que estava mais próxima de mim, começou a mexer os pés. Primeiro ela deixou de ficar de lado em direção ao movimento do trem para se colocar junto ao movimento. Colocou assim, um pé na frente do outro. Achei curioso e fiquei observando como ela foi adaptando a posição dos pés e voilá: colocou-se naturalmente em kamae!
O outro manteve-se o tempo todo com a frente do corpo perpendicularmente ao movimento do trem, com os pés em uma unica linha paralela e bastante cambaleante durante o percurso.
Para mim, isso é uma evidência que os ensinamentos do Aikido podem ser postos em prática em nossas vidas e fazem muito sentido. Esse é um exemplo de um sentido físico, mas existem também todas as correlações possíveis nos aspectos de relacionamentos interpessoais - para citar apenas um exemplo - das aplicações do Aikido Corpo-Ki no cotidiano que procuramos explorar aqui no Tatamito.
Eu me coloquei em kamae - também conhecido como hanmi - a postura do Aikido em que nossos pés se posicionam triangularmente. Fiquei assim, jogando meu peso para meus quadris/joelhos flexionados e pés sem encostar em nada e testando como eu lidava com o movimento do metrô.
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| um aluno do Tatamito em kamae |
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| detalhe do posicionamento dos pés no Kamae |
Daí, comecei a reparar nas outras pessoas. A maioria se apoiava em seus braços/mãos, se dependurando nas barras de metal. Mas havia 2 pessoas como eu: sem usar o apoio superior do corpo.
Era um homem e uma mulher. Quando comecei a observá-los notei que ambos tinham os pés paralelos e voltando a frente do corpo perpendicularmente ao movimento do trem . Mas depois de um tempo, notei que a mulher, que estava mais próxima de mim, começou a mexer os pés. Primeiro ela deixou de ficar de lado em direção ao movimento do trem para se colocar junto ao movimento. Colocou assim, um pé na frente do outro. Achei curioso e fiquei observando como ela foi adaptando a posição dos pés e voilá: colocou-se naturalmente em kamae!
O outro manteve-se o tempo todo com a frente do corpo perpendicularmente ao movimento do trem, com os pés em uma unica linha paralela e bastante cambaleante durante o percurso.
Para mim, isso é uma evidência que os ensinamentos do Aikido podem ser postos em prática em nossas vidas e fazem muito sentido. Esse é um exemplo de um sentido físico, mas existem também todas as correlações possíveis nos aspectos de relacionamentos interpessoais - para citar apenas um exemplo - das aplicações do Aikido Corpo-Ki no cotidiano que procuramos explorar aqui no Tatamito.
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| à esquerda, o passageiro com os pés paralelos, e à direita, a passageira buscando o kamae (ela achou: o pé de trás ficou mais virado para fora mas eu não consegui tirar a foto discretamente....) |
2.4.15
Workshop Arte como Caminho 14/4
"Sinto que meus corpos estão em harmonia e sinto que isso tem ajudado a desenroscar questões que antes pareciam impossíveis de serem resolvidas. Tenho sentido mais leveza na vida."(depoimento de aluno do curso Arte como Caminho)*
Arte como Caminho : workshop
QUANDO
Terça, 14 de abril, das 19:30 as 21:30
O QUE É:
Workshop voltado para pessoas interessadas na integração corpo/mente.
Dô em japonês quer dizer caminho: Aikido (Caminho da Harmonia), Judo (Suave Caminho), Shodo (Caminho da Escrita) e por ai vai.... A ideia de caminho permeia a cultura oriental e indica sobretudo que a vida é um caminho, um processo que se desenrola.
O QUE VOCÊ VAI FAZER
Durante o workshop vamos fazer exercícios de práticas físicas individuais e em duplas para experimentar a percepção de ki (que muita gente já ouviu falar e nunca sentiu!) e sua relação com o corpo em movimento, para então passar aos exercícios artísticos tecendo correlações corpo do artista/pincel, sem preocupações com o resultado, mas focando na consciência ao longo do processo (não vamos buscar a perfeição, vamos buscar a meditação ativa que a arte proporciona).
COMO SERÁ
O grupo será pequeno para permitir um trabalho de intensidade e ao mesmo tempo relaxante.
A duração do workshop é de 2 horas. Não há pre-requisitos para participar. Os materiais serão fornecidos.
Venha vestido(a) com roupas confortáveis.
COM QUEM
Mirla Fernandes: mestra em Poéticas Visuais (2013,Unicamp) com um trabalho focado na relação objeto/corpo cognitivo, exibido internacionalmente desde 1998 através de exposições, workshops e palestras. Pesquisa o ki desde 2002, pelo Reiki e desde 2004, pelo Aikido e mais recentemente pelo Kinomichi. É instrutora de Aikido (2012, shodan Aikikai, Japão) do Tatamito e da St Paul’s School.
COMO SE INSCREVER
Para se inscrever é preciso enviar um email e fazer um depósito no valor de R$50,00.
Entre em contato: tatamitodojo@gmail.com // whataspp 982906651
Política de Cancelamento: como trata-se de um curso com pouquíssimas vagas, após a inscrição não serão aceitos cancelamentos.
DÚVIDAS
Conheça mais sobre o Tatamito: espaço multi territórios de transformação pessoal
www.tatamito.com
Entre em contato: tatamitodojo@gmail.com // whataspp 982906651
*Arte como Caminho é também um curso que acontece regularmente no Tatamito todas as quintas feiras das 19h30 às 21h00. A partir desse workshop será possível inscrever-se no curso em nova turma com horário a ser definido em conjunto
20.3.15
Workshop Arte como Caminho : inscreva-se!
No último sábado de março proponho um workshop de 2 horas de duração baseado no curso Arte como Caminho.
Este curso vem acontecendo às quintas a noite com apenas 4 pessoas, o que garante um trabalho bastante específico e intenso (veja algumas imagens abaixo).
Para se inscrever no workshop, acesse o link do Cinese:
http://www.cinese.me/encontros/arte-como-caminho-workshop
Este curso vem acontecendo às quintas a noite com apenas 4 pessoas, o que garante um trabalho bastante específico e intenso (veja algumas imagens abaixo).
Para se inscrever no workshop, acesse o link do Cinese:
http://www.cinese.me/encontros/arte-como-caminho-workshop
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| Arte como Caminho |
18.3.15
Caminho da Harmonia
As vezes a gente cisma de abrir um livro em uma página qualquer e se surpreende com palavras inspiradoras, que compartilho aqui:
"O Caminho da harmonia não é um caminho fácil. A verdade não iluminará um espírito preguiçoso. É um Caminho áspero, marcado pelo trabalho, pelo suor e pelas dores da realidade, pois o conflito tem de ser experimentado e compreendido. A experiência física do conflito é exigente e frustrante - mas a frustração maior, a exigência mais exaustiva para o espírito é a luta para subjugar o ego quando se aspira ao auto-aperfeiçoamento e, em última análise, ao bem da sociedade. Entretanto é também um Caminho animado pela intensidade do desafio, pois o espírito se torna fértil com as alegrias da evolução." (SAOTOME, 1993:76)
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| Mitsuge Saotome Shihan |
2.3.15
Aikido Corpo-Ki Pais & Filhos
Introduzir os princípios de harmonia e colaboração aos seus fllhos e ao mesmo tempo proporcionar um momento de descobertas entre vocês. Agora o Tatamito oferece duas turmas de Aikido Corpo & Ki para Pais & Filhos, claro que incluindo mães e filhas na equação!
AIKIDO CORPO-KI PAIS & FILHOS
Sábados: das 9h00 às 10h00 e das 10h00 às 11h00
Para se inscrever na aula experimental: tatamitodojo@gmail.com ou whatsapp 98290 6651
AIKIDO CORPO-KI FAMíLIA
A oportunidade de usufruir de uma hora de atividades tão profundas e ao mesmo tempo divertidas em família pode acontecer na sua casa caso haja espaço suficiente para montar um pequeno tatame. Contacte-me para saber mais
AIKIDO CORPO-KI PAIS & FILHOS
Sábados: das 9h00 às 10h00 e das 10h00 às 11h00
Para se inscrever na aula experimental: tatamitodojo@gmail.com ou whatsapp 98290 6651
AIKIDO CORPO-KI FAMíLIA
A oportunidade de usufruir de uma hora de atividades tão profundas e ao mesmo tempo divertidas em família pode acontecer na sua casa caso haja espaço suficiente para montar um pequeno tatame. Contacte-me para saber mais
1.12.14
Do-in e o Aikido
Quando iniciamos um treino de Aikido Corpo-Ki, a primeira coisa que fazemos é a preparação do corpo com uma série de exercícios, também chamadas de Taissô.
Sentados no tatame, começamos pelos pés: "com uma mão segurando o tornozelo, rodar várias vezes o pé com a outra mão num movimento lento e ritmado. Da mesma forma, segurar o pé e rodar cada dedo, flexionando-os para frente e para trás, para depois massagear, torcer e apertar cada dedo. Com o calcanhar na palma da mão, penetrar profundamente os quatro dedos da mão (...) e exercer pressão moderada em todos os pontos. (...) Terminar com pequenos tapas nas solas dos pés para um estímulo geral".
O trecho abaixo, que descreve tão bem o taissô praticado nos treinos não foi extraido de um livro de Aikido, mas sim de um livro de Do-In, arte da cura que se baseia no conceito chinês de que o corpo humano não apenas tem energia, mas ele é energia manifestada na matéria - o ki.
Mais um trecho interessante:
"Apenas um ponto chinês - o R1, ponto inicial do Meridiano dos Rins - encontra-se na sola dos pés. No entanto, a massagem nesta região produz estímulos em quase todas as partes do corpo, já que existem 72.000 terminações nervosas nos pés. Estas zonas de reflexo funcionam como "fios-terra", colocando os órgãos diretamente em contato com a energia do solo e fazendo escoar os resíduos e toxinas que bloqueiam a força vital.
Assim como acontece com os pontos chineses, essas zonas de reflexo ficam especialmente sensíveis ou doem espontaneamente quando os respectivos órgãos estão desequilibrados. As técnicas de tonificação e sedação são as mesmas utilizadas nos pontos dos Meridianos: para tonificar é indicado percurtir leve, rápida e repetidamente com a ponta dos dedos; para sedar pressiona-se profunda, lenta e continuamente com o polegar."
25.11.14
O fígado e o Aikido Corpo-Ki
O título pode parecer estranho. Qual seria o sentido, a primeira vista, em associar o fígado, um órgão interno dedicado a depuração, a uma arte corporal, e não falar dos músculos e articulações?
Mas segundo a visão da medicina tradicional chinesa o fígado é um órgão com profundas relações entre os músculos e tendões.
Dentro da filosofia dos Cinco Elementos, o corpo humano em harmonia funciona em sintonia a ciclos nos quais a energia segue em fluxo ressonando dinamicamente cinco qualidades energéticas distintas, os cinco elementos: Madeira, Fogo, Terra, Metal, Água.
Os elementos se inter relacionam e se influenciam mutuamente. Uma primeira relação é a mãe-filho: um elemento gera o outro. Por exemplo: a madeira é mãe do fogo (fornece o combustível para ele), o fogo é mãe da terra (as cinzas geradas da combustão), a terra é mãe do metal (é na terra que estão os minerais), o metal é mãe da água (são eles que tem a capacidade para represar a água e conte-la) e por sua vez, fechando o Ciclo Sheng, a água é mãe da madeira (alimentando todas as plantas).
O "elemento"* Madeira em particular é aquele que ressoa com a energia do fígado**. Nessa mesma sintonia os chineses associam vários outros elementos: a primavera, o vento, a cor verde, o poder do crescimento, tal como o broto que supera o peso da terra e ascende. Tem-se aí a conexão com a energia yang de força para poder nascer, criar, iniciar algo. É a energia crucial para se realizar mudanças.
Entretanto, desequilíbrios no sistema Fígado revelam também a outra faceta dessa mesma vibração: a da energia da raiva. A raiva é a emoção que se sente quando ao tentar realizar uma mudança nas circunstâncias da sua vida e alterar suas limitações pessoais, mas por algum motivo, essa mudança não acontece. Muitas vezes a raiva não é sentida como uma explosão de fúria, mas como uma sensação de frustração e irritabilidade, por um lado. Por outro, a energia estagnada no corpo pode ser sentida como amargura, desânimo e ressentimento.
Dessa forma, a energia mal direcionada - por ser colocada em excesso numa situação ou represada, por circunstâncias externas - gera desequilíbrios no sistema fígado. E o corpo reage: os ligamentos tendem a ficar ou muito rígidos ou muito flácidos. Como consequência, os movimentos ficam menos precisos e as articulações podem se tornar doloridas e menos estáveis. O retesamento da musculatura do pescoço e da parte superior do dorso também são comuns.
Dentro dessa ideia de ressonância mas no âmbito da personalidade, observa-se que pessoas que tendem a vibrar muito com a energia Madeira/Fígado são aquelas que, quando equilibradas mostram um comportamento empreendedor e assertivo, produzindo para crescer. E, no entanto, quando desequilibradas, podem oscilar entre extremos: ser autoritário, inflexível, desafiante, irritável e indignado, quando a energia está muito yang. Ou ainda, quando muito yin, mostram-se apáticos, excessivamente cordatos, passivos, desorganizados e indiretos.
É nesse ponto que vejo o Aikido Corpo-Ki como ferramenta importante para esse tipo de indivíduo. Pois o Aikido Corpo-Ki além de trabalhar com os fluxos energéticos, foca-se muito na manutenção da flexibilidade das articulações. Assim, o estado de rigidez vai se amenizando com as sequentes torções executadas ao longo do treino. Quando percebemos, estamos realizando os alongamentos, até mesmo fora do tatame!
Em relação ao excesso de agressividade, ele também é um dos desafios propostos pelo Aikido Corpo-Ki. Quando se inicia um ataque com muita fúria é provavel que um acidente com algum machucado aconteça. Depois de alguns roxos pelo corpo (quando isso acontece de forma amena...) começamos a entender o grau de energia que devemos colocar em um ataque. Nem muito, excessivo, nem pouco....
Porque também aprendemos que um ataque apático não gera resposta. E nesse sentido, aqueles que vivenciam a fase "apática" de um desequilíbrio Madeira/Fígado são treinados no sentido de se colocarem com mais firmeza - e no entanto - flexibilidade.
Assim, as questões chaves do elemento Madeira/Fígado - iniciativa/ataque, resposta/flexibilidade - são também as questões chaves que ecoam com os princípios do Aikido Corpo-Ki trabalhados no Tatamito. E nada melhor para uma pessoa que é dada a esses desequilíbrios do que muito trabalho corporal, mantendo o fluxo energético sempre em movimento!
*elemento é o termo usado tradicionalmente, mas deve-se entendê-lo sobretudo como qualidade energética.
** na realidade o medicina chinesa associa tanto o Fígado quanto a Vesicula Biliar ao elemento Madeira.
Mas segundo a visão da medicina tradicional chinesa o fígado é um órgão com profundas relações entre os músculos e tendões.
Dentro da filosofia dos Cinco Elementos, o corpo humano em harmonia funciona em sintonia a ciclos nos quais a energia segue em fluxo ressonando dinamicamente cinco qualidades energéticas distintas, os cinco elementos: Madeira, Fogo, Terra, Metal, Água.
Os elementos se inter relacionam e se influenciam mutuamente. Uma primeira relação é a mãe-filho: um elemento gera o outro. Por exemplo: a madeira é mãe do fogo (fornece o combustível para ele), o fogo é mãe da terra (as cinzas geradas da combustão), a terra é mãe do metal (é na terra que estão os minerais), o metal é mãe da água (são eles que tem a capacidade para represar a água e conte-la) e por sua vez, fechando o Ciclo Sheng, a água é mãe da madeira (alimentando todas as plantas).
O "elemento"* Madeira em particular é aquele que ressoa com a energia do fígado**. Nessa mesma sintonia os chineses associam vários outros elementos: a primavera, o vento, a cor verde, o poder do crescimento, tal como o broto que supera o peso da terra e ascende. Tem-se aí a conexão com a energia yang de força para poder nascer, criar, iniciar algo. É a energia crucial para se realizar mudanças.
Entretanto, desequilíbrios no sistema Fígado revelam também a outra faceta dessa mesma vibração: a da energia da raiva. A raiva é a emoção que se sente quando ao tentar realizar uma mudança nas circunstâncias da sua vida e alterar suas limitações pessoais, mas por algum motivo, essa mudança não acontece. Muitas vezes a raiva não é sentida como uma explosão de fúria, mas como uma sensação de frustração e irritabilidade, por um lado. Por outro, a energia estagnada no corpo pode ser sentida como amargura, desânimo e ressentimento.
Dessa forma, a energia mal direcionada - por ser colocada em excesso numa situação ou represada, por circunstâncias externas - gera desequilíbrios no sistema fígado. E o corpo reage: os ligamentos tendem a ficar ou muito rígidos ou muito flácidos. Como consequência, os movimentos ficam menos precisos e as articulações podem se tornar doloridas e menos estáveis. O retesamento da musculatura do pescoço e da parte superior do dorso também são comuns.
Dentro dessa ideia de ressonância mas no âmbito da personalidade, observa-se que pessoas que tendem a vibrar muito com a energia Madeira/Fígado são aquelas que, quando equilibradas mostram um comportamento empreendedor e assertivo, produzindo para crescer. E, no entanto, quando desequilibradas, podem oscilar entre extremos: ser autoritário, inflexível, desafiante, irritável e indignado, quando a energia está muito yang. Ou ainda, quando muito yin, mostram-se apáticos, excessivamente cordatos, passivos, desorganizados e indiretos.
É nesse ponto que vejo o Aikido Corpo-Ki como ferramenta importante para esse tipo de indivíduo. Pois o Aikido Corpo-Ki além de trabalhar com os fluxos energéticos, foca-se muito na manutenção da flexibilidade das articulações. Assim, o estado de rigidez vai se amenizando com as sequentes torções executadas ao longo do treino. Quando percebemos, estamos realizando os alongamentos, até mesmo fora do tatame!
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| O Kiai de Morihei Ueshiba. O grito é uma das manifestações da energia Madeira/Fígado |
Em relação ao excesso de agressividade, ele também é um dos desafios propostos pelo Aikido Corpo-Ki. Quando se inicia um ataque com muita fúria é provavel que um acidente com algum machucado aconteça. Depois de alguns roxos pelo corpo (quando isso acontece de forma amena...) começamos a entender o grau de energia que devemos colocar em um ataque. Nem muito, excessivo, nem pouco....
Porque também aprendemos que um ataque apático não gera resposta. E nesse sentido, aqueles que vivenciam a fase "apática" de um desequilíbrio Madeira/Fígado são treinados no sentido de se colocarem com mais firmeza - e no entanto - flexibilidade.
Assim, as questões chaves do elemento Madeira/Fígado - iniciativa/ataque, resposta/flexibilidade - são também as questões chaves que ecoam com os princípios do Aikido Corpo-Ki trabalhados no Tatamito. E nada melhor para uma pessoa que é dada a esses desequilíbrios do que muito trabalho corporal, mantendo o fluxo energético sempre em movimento!
*elemento é o termo usado tradicionalmente, mas deve-se entendê-lo sobretudo como qualidade energética.
** na realidade o medicina chinesa associa tanto o Fígado quanto a Vesicula Biliar ao elemento Madeira.
16.11.14
Flow no Aikido
Estado de Flow é um conceito desenvolvido por Mihaly Csikszentmihalyi. Quando estamos em flow estamos focados, felizes, serenos, com um sentimento de clareza e crescimento pessoal .
Praticando Aikido há mais de dez anos, percebo que essa atividade nos permite alcançar um estado de flow.
No video abaixo, o autor de Flow - the psycology of optimal experience fala sobre isso:
Praticando Aikido há mais de dez anos, percebo que essa atividade nos permite alcançar um estado de flow.
No video abaixo, o autor de Flow - the psycology of optimal experience fala sobre isso:
14.11.14
A imagem corporal e aikido
Imagem corporal é o esquema visual corporal que temos a respeito de nosso próprio corpo. Graças a ela reconhecemos nossa postura e nossos movimentos. Essa imagem é também a responsável por conseguirmos utilizar objetos que participam dos nossos movimentos, como o bokken (espada) de Aikido por exemplo, que é algo que se adiciona à nossa imagem corporal a medida que praticamos.
A imagem corporal se fundamenta a partir de nossas percepções, nas relações entre nossos sentidos e movimentos em geral e em nossas emoções. Precisamos da imagem corporal para iniciar os movimentos.
Ao praticarmos Aikido Corpo-Ki, vivenciamos deslocamentos relativos ao outro e a nós mesmos no espaço a partir de impressões visuais e táteis assim como impressões cinestésicas que se colocam em relação ao nosso próprio modelo postural. Sempre que as impressões visuais forem insuficientes para nossa orientação, as impressões táteis e as cinestésicas são utilizadas.
Curioso é notar que nosso modelo postural se relaciona e está interligado com o dos outros. As experiências em patologia confirmam que quando nós perdemos a orientação direita/esquerda em nosso corpo, também a perdemos em relação ao corpo do outro. (SCHILDER, 1981)
A nossa sensibilidade postural - algo continuamente trabalhado no Aikido pelo kamae e reajuste do ma-ai - é fundamental para a construção do conhecimento não apenas do nosso corpo mas da nossa relação com o outro.
O Aikido Corpo-Ki é uma prática que acontece a partir da interação com o outro. Sabendo que a dificuldade na percepção do nosso corpo precede a dificuldade na percepção do outro, coloca-se como vital para o praticante o conhecimento de seu próprio corpo. E isto acontece sobretudo quando uma boa preparação é feita: antes de iniciar propriamente os golpes, os exercícios de alongamento e respiração devem ser feitos com o máximo de concentração e consciência pois vão colaborar com a construção da imagem corporal do praticante.
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| foto: André Lopes |
A imagem corporal se fundamenta a partir de nossas percepções, nas relações entre nossos sentidos e movimentos em geral e em nossas emoções. Precisamos da imagem corporal para iniciar os movimentos.
Ao praticarmos Aikido Corpo-Ki, vivenciamos deslocamentos relativos ao outro e a nós mesmos no espaço a partir de impressões visuais e táteis assim como impressões cinestésicas que se colocam em relação ao nosso próprio modelo postural. Sempre que as impressões visuais forem insuficientes para nossa orientação, as impressões táteis e as cinestésicas são utilizadas.
Curioso é notar que nosso modelo postural se relaciona e está interligado com o dos outros. As experiências em patologia confirmam que quando nós perdemos a orientação direita/esquerda em nosso corpo, também a perdemos em relação ao corpo do outro. (SCHILDER, 1981)
A nossa sensibilidade postural - algo continuamente trabalhado no Aikido pelo kamae e reajuste do ma-ai - é fundamental para a construção do conhecimento não apenas do nosso corpo mas da nossa relação com o outro.
O Aikido Corpo-Ki é uma prática que acontece a partir da interação com o outro. Sabendo que a dificuldade na percepção do nosso corpo precede a dificuldade na percepção do outro, coloca-se como vital para o praticante o conhecimento de seu próprio corpo. E isto acontece sobretudo quando uma boa preparação é feita: antes de iniciar propriamente os golpes, os exercícios de alongamento e respiração devem ser feitos com o máximo de concentração e consciência pois vão colaborar com a construção da imagem corporal do praticante.
4.8.14
Ki
Aura é uma matriz energética a partir da qual o corpo cresce. Os chakras são órgãos do sistema áurico, como redemoinhos de energia que captam energia universal e se distribuem em áreas do corpo físico.
A energia é transmitida de uma camada de chakra de uma camada áurica para outra por passagens que geralmente estão seladas.
Trabalhos que desenvolvem o Ki são trabalhos que possibilitam a abertura dessas passagens: aikido, tai chi chuan, chi gong...
Diferentes culturas reconhecem a existência da força vital: Jesus a chamou de luz, os Hindus preferem chamá-la de Prana, Reich pesquisou o orgone e textos alquimistas se referem ao Ki como fluido vital.
A prática da respiração consciente leva à maior consciência do Ki interno.
Experimente o exercicío de respiração Joshin Kokyo-ho:
A prática diária vai trazendo uma maior amplitude de sensações e contato com o Ki.
A energia é transmitida de uma camada de chakra de uma camada áurica para outra por passagens que geralmente estão seladas.
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| os sete chakras |
Trabalhos que desenvolvem o Ki são trabalhos que possibilitam a abertura dessas passagens: aikido, tai chi chuan, chi gong...
Diferentes culturas reconhecem a existência da força vital: Jesus a chamou de luz, os Hindus preferem chamá-la de Prana, Reich pesquisou o orgone e textos alquimistas se referem ao Ki como fluido vital.
A prática da respiração consciente leva à maior consciência do Ki interno.
Experimente o exercicío de respiração Joshin Kokyo-ho:
Sente-se com a coluna ereta e livre de tensões. Inspire lentamente pelo nariz. Imagine que junto com o ar a energia Ki está entrando pelo chakra da coroa (chakra 7). Preste atenção nas sensações: um aumento de calor, a visualização de uma cor, uma sensação de cosquinha no topo da cabeça.
Se não puder sentir nada, não há problema, continue respirando e praticando que a sensibilização aumenta.
Procure perceber como o corpo se enche de energia a medida que voce respira; dirija o ar até o Tanden, o centro energético do corpo que se localiza no abdômen, dois a tres dedos abaixo do umbigo.
Foque sua atenção no Tanden e retenha o ar, imaginando a energia que daquele ponto se espalha por todo o corpo, como se fosse uma luz que se espalha e vitaliza todo o corpo. Expire pela boca e preste atenção nos dedos das mãos e dos pés, por onde essa energia tambem é escoada.
A prática diária vai trazendo uma maior amplitude de sensações e contato com o Ki.
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